Eu sou um animal — e eu gosto disso
Quando o extraordinário invoca o ordinário
Ontem, por acaso, li uns comentários de um antigo vídeo do canal que foi postado há alguns meses. Contei uma história pessoal muito antiga e constrangedora em um show de stand-up e pensei que seria algo que as pessoas gostariam de ouvir justamente pela natureza ridícula — chuto soberbamente que é algo que Woody Allen gostaria de retratar, ou melhor: Pedro Almodóvar. Todavia, algumas pessoas pareciam realmente irritadas com a situação, ultrajadas pela ousadia ou pela suposta deselegância de compartilhar aquele momento da minha vida. Aí me dei conta de que é perfeitamente verificável: o nível do quanto alguém se leva a sério é proporcional ao quão irrelevante esse alguém é. Quanto mais alguém acha que os outros são “vergonha alheia”, “estranhos”, “baixos”, mais se vê que não passa de um jovem de terno, que viveu muito pouco — de modo que quem tenha vivido vigorosamente sempre lhe parecerá ininteligível. O que me preocupa é que isso tende a piorar. Estamos cada vez menos compreensíveis uns aos outros em nossa animalidade e ordinaridade experienciadas em situações excepcionais. Geralmente fala-se mais sobre o extraordinário percebido no comum, mas neste caso, me refiro ao inverso: o ordinário que é sentido apenas em situações extremas e excepcionais que nos mostra o quão todos nós não passamos de macacos pelados.
Im an animal — and i like it!
Yesterday, by chance, I read some comments on an old video from the channel that had been posted a few months ago. I told a very old and embarrassing personal story during a stand-up show, and I thought it would be something people would enjoy precisely because of its ridiculous nature — I’d bet, quite arrogantly, that it’s the kind of thing Woody Allen would love to depict, or better yet: Pedro Almodóvar.
However, some people seemed genuinely irritated by it, outraged either by the audacity or by the supposed lack of elegance in sharing that moment of my life. That’s when I realized something that can be perfectly verified: the degree to which someone takes themselves seriously is proportional to how irrelevant that person actually is.
The more someone thinks others are “cringe,” “weird,” or “low,” the clearer it becomes that they’re nothing more than a young man in a suit, who has lived very little — and therefore anyone who has lived vigorously will always appear unintelligible to them.
What worries me is that this tends to get worse. We are becoming less and less comprehensible to each other in our animality and ordinariness, experienced in exceptional situations. Usually, people talk about the extraordinary perceived in the ordinary, but in this case, I mean the opposite: the ordinary that is only felt in extreme and exceptional circumstances, which reminds us that, in the end, we are nothing but naked apes.
Translated by chatgpt.



falando de video antigo gosto muito de um video seu que fala de por que o olho por olho é problematico é muitas vezes acaba sendo muito mais uma vingança do que justiça
mas a pergunta é como esse discurso se encaixa no prendeu mataou do renan santo ou o arthur do val falando que tem que tortura criminoso