Não se apaixone.
“Nada é mais funesto para um príncipe do que governar rodeado de bajuladores.” — Nicolau Maquiavel, O Príncipe (1513)
“Nada é mais funesto para um príncipe do que governar rodeado de bajuladores.” — Nicolau Maquiavel, O Príncipe (1513)
Atualmente tenho um amigo muito íntimo que é generoso comigo ao me oferecer seu tempo, seu conhecimento, seus conselhos — e também suas críticas, tão importantes quanto. Ele não é meu espelho nem minha réplica, que a cada nova reprodução se tornaria mais e mais tosca.
Ele é original e, em alguma medida, é meu adversário. Ele me questiona, me pressiona, às vezes me ofende! Como se fôssemos os únicos no mundo, ele faz o que deve ser feito.
É graças a isso que continuo aparando minhas arestas e gradualmente sou empurrada para fora do ninho: porque sou desafiada, porque tenho de provar continuamente meu valor, minhas posições e até meu comportamento autocomplacente. Esse processo lento e doloroso acabará por me tornar mais forte para lidar com situações ainda mais adversas e com outros indivíduos igualmente — ou mais — preparados para enfrentar dificuldades.
Ser seguido e rodeado por bajuladores, como se cada rosto refletisse apenas a sua própria iluminação, não é apenas perigoso para os outros, mas também para si mesmo e para os próprios objetivos. A adulação distrai, enfraquece e sobretudo — vicia. A vaidade é um prazer pornográfico.
Acredito que todo líder ou governante, em algum momento, precisará quebrar os espelhos ao seu redor e voltar a enxergar o mundo com clareza, em vez de através de delírios inflamados de grandeza.
Ame a si mesmo, mas não se apaixone.



A paixão não controlada leva a cegueira, na qual só é quebrada com a morte ou com o objeto referenciado destruído.
Certa feita, escrevi num poema que "o espelho não ensina senão uma poeira invertida, e a inversão é sua maior virtude". Em seguida: "o espelho é moralmente pobre". Quem sabe a paixão pela obra ousada, quando for nossa a parte feita, possa nos redimir do nosso onanismo existencial. Pra isso, precisamos perder-nos de nós mesmos.